Tuiuiú
Loading...
.

20/06/09

Nossos irmãos índios


A necessidade do homem de explicar os mistérios da vida e da natureza que o cerca, gera, através de séculos, as mais belas lendas. Quanto mais rica a cultura de um povo, maior o número de lendas inspiradoras que justificam os seus costumes e tradições milenares.


Dos cinco milhões de índios da época do descobrimento, existem atualmente cerca de 345 mil representando 0,2% da população brasileira. segundo a FUNAI - Fundação Nacional do Índio.

.
"A primeira Missa no Brasil" obra de Victor Meireles - 1860 - Museu Nacional de Belas Artes

“Para a realização dessa cerimônia dois carpinteiros trouxeram da mata um enorme tronco de madeira, destinado a feitura da cruz, enquanto os demais tripulantes abasteciam os barcos com água, frutas e lenha. Os índios, uns oitenta ou mais, se amontoavam ao redor dos portugueses, e apreciavam pasmos, o que o fio das ferramentas de ferro provocava na árvore. Os nativos, dóceis, se portaram de tal modo que o escrivão Pero Vaz de Caminha convenceu-se de que no futuro a conversão deles seria mais fácil, e por isso escreveu ao rei prevendo que "dois bons padres, apenas, seriam suficientes para o cumprimento dessa missão.
Fernando Kitznger Dannemann .



Os portuguêses rezavam a missa em latim para os índios


Durante muitos anos, a igreja fazia a missa em latim. Os índios não falavam português, e nem latim.

A presença dos índios no território brasileiro é muito anterior ao processo de ocupação estabelecido pelos exploradores europeus que aportaram em nossas terras. Segundo os dados presentes em algumas estimativas, a população indígena brasileira variava entre três e cinco milhões de habitantes. Entre essa vasta população, observamos o desenvolvimento de civilizações heterogêneas entre as quais podemos citar os xavantes, caraíbas, tupis, jês, e guaranis.
.

Ação dos Jesuítas: Catequese

O Santo(?) Inácio de Loyola



.
Os jesuítas foram fundados no seguimento da reforma Católica (também chamada Contra-Reforma), um movimento reacionário à Reforma Protestante cujas doutrinas se tornavam cada vez mais conhecidas através da Europa, em parte graças à recente invenção da imprensa. Os Jesuítas pregaram a obediência total à doutrina da igreja católica, tendo Inácio de Loyola declarado:
"Acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da igreja assim o tiver determinado".


Inácio de Loyola (que virou santo) e Padre Anchieta que tornou-se o principal catequizador dos índios brasileiros

Nos aldeamentos jesuíticos os índios eram educados para viver como cristãos. Essa educação significava uma imposição forçada de outra cultura, a cristã. Os jesuítas valiam-se de aspectos da cultura nativa, especialmente a língua, para se fazerem compreender e se aproximarem mais dos indígenas. Esta ação incrementava a destribalização e violentava aspectos fundamentais da vida e da mentalidade dos nativos, como o trabalho na lavoura, atividade que consideravam exclusivamente feminina.

O tupi era a língua indígena mais falada no tempo do descobrimento do Brasil, em 1500. Teve sua gramática estudada pelos padres jesuítas, que a registraram. Era também chamada de língua Brasílica. Os europeus acreditavam que o trabalho braçal denegria o caráter e a importância da pessoa. Por isso, recusavam-se a trabalhar na terra e no artesanato. No Brasil, não foi diferente. Os colonizadores associaram imediatamente o trabalho à ausência de liberdade, ou seja, à escravidão.


Índios: recusa a escravidão

.
Os indígenas foram os primeiros escravos do Brasil. A partir de 1570, a Coroa começou a tomar medidas para impedir essa escravização, ao mesmo tempo que incentivava a importação de africanos. Em 1758, Portugal determinou a libertação definitiva dos índios. Vários motivos influenciaram essa decisão:

  • Os índios resistiam à escravização, guerreando, fugindo ou negando-se a trabalhar.
  • Os indígenas não resistiam às doenças dos brancos, como sarampo, varíola e gripe. Morriam aos milhares.
.
Índios dizimados: Entre 1562 e 1563, por exemplo, mais de 60 mil índios foram dizimados por duas epidemias de varíola, conhecidas como a ‘peste de bexigas’.

A extinção de suas línguas é um dos exemplos mais claros de ameaça à sobrevivência dos povos indígenas.

Quando uma língua falada desaparece, morre um povo, uma cultura, uma sabedoria


.
O folclore dos índios brasileiros perdeu, com a civilização cristã imposta a eles, muitos dos seus rituais e muitas de suas crenças, por isso, as suas lendas estão cada vez mais mescladas com as lendas catequizadoras trazidas pelos homens brancos.

.
“Nenhum elemento externo jamais deve ser imposto a uma cultura. Toda imposição pressupõe carência de respeito humano e cultural, além de grave erro na construção do diálogo. Assim, a catequese histórica e impositiva bem como qualquer outro elemento que force a mudanças não desejadas, mesmo em áreas como educação, saúde e subsistência, devem ser duramente criticadas. Por outro lado é respeito cultural conceber ao indígena, o direito de realizar escolhas, voluntárias e desejadas, dentro de seu próprio bojo cultural” Roberto Cardoso de Oliveira


Leia mais no: Manifesto da AMTB - Associação de Missões Transculturais Brasileiras.

"Em vez de querer ensinar aos índios, o homem branco deveria ter a humildade para aprender com eles que o velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo". Orlando Vilas boas
Criança - em idioma indígena " Curumim"




Fotos: Giselle Vargas - Carlos Levistrauss - José L. L. Borges
Outras:Web

.

11/06/09

Cidade de Pedras

.
Localizada no centro oeste do Brasil, nas proximidades da cidade histórica de Pirenópolis em Goiás está a Serra dos Pirineus contando com sete trilhas ecológicas para caminhada e três picos, sendo o mais alto a quase 1.400 metros de altitude.

Lembrando uma cidade de pedras encontra-se num espaço enorme rodeado de gigantes de pedra das formas mais estranhas que possam ser imaginadas. Algumas formam castelos de aspecto agressivo, outras parecem monstros de origem inqualificável, outras lembram jardins babilônios, cheios de plantas, que há milhares de anos atrás, durante o movimento das placas tectônicas, valas foram abertas e por ali o magma do interior da terra penetrou e subiu até a superfície.
Para se visitar o lugar é imprescindível a presença de um guia experiente. Lugar de caminhada de dificuldade média a alta, cerca de 10 km, com trilhas sujas de mato, sem água e muito acidentado.

Da vegetação rasteira, flores brotam por entre as pedras

Cidade de Pedras: naturalmente monumental

Monumento Natural é um tipo de unidade de conservação de proteção integral prevista na Lei 9985/2000, que diz: “Monumento Natural tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. (...) pode ser constituído por áreas particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários. (...) Havendo incompatibilidade entre os objetivos da área e as atividades privadas ou não havendo aquiescência do proprietário às condições propostas pelo órgão responsável pela administração da unidade para a coexistência do Monumento Natural com o uso da propriedade, a área deve ser desapropriada, de acordo com o que dispõe a lei. (...) A visitação pública está sujeita às condições e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração e àquelas previstas em regulamento”

A Cidade de Pedra em Goiás, ainda não possui nenhuma infra-estrutura turística, sendo uma das paisagens mais antigas do Brasil. Mas, só entrou a pouco no mapa turístico nacional


Há quase quatro anos, a Prefeitura de Pirenópolis (Goiás) reconheceu 1.380 hectares de seu território como monumento natural. Naquela área de Cerrado está a maior cidade de pedra conhecida no Brasil, com cerca de 500 hectares de fantásticas formações rochosas.
O Parque Nacional de Sete Cidades no Piauí, por exemplo, tem seis mil hectares e pedreiras ocupando em torno de 250 hectares.

Fontes:


Vale da Lua

Veja  também a postagem sobre o Vale da Lua que tem esse nome devido a aparência que lembra uma paisagem lunar e fica no coração do Brasil em Alto Paraiso de Goiás. na Chapada dos Veadeiros.
É considerada o santuário Goiano do misticismo, esoterismo e espiritualismo.

Clique na imagem e entre na página com mais informações.



04/06/09

Amêndoa do cerrado

  • Nome popular - Chichá-do-Cerrado, Sapucaia, Castanha de Macaco, Amendoim-de-Macaco.
  • Nome cientifico - Sterculia strita.
  • Familia Sterculiaceae.


É uma arvore de porte grande, crescendo de 8 a 25 metros de altura com tronco castanho-amarelado de 30 a 60 cm de diâmetro. A copa é arredondada quando a planta esta isolada, podendo alcançar o chão.

Chichá ou xixá?


Chichá-do-cerrado é uma planta perene, nativa das regiões Nordeste, Centro-oeste e Sudeste do Brasil, principalmente dos Cerrados brasileiros.NOME INDIGENA: Xixá vem do Tupi e significa “Fruto semelhante a mão ou punho fechado”, aludindo a forma das cápsulas individuais, é chamado carinhosamente de “Coraçãozinho do Cerrado” pelo seu formato de coração (estilo romanceado).

As flores são pequenas e formadas em panículas (cachos) nas extremidades dos ramos e são hermafroditas (têm os dois sexos na mesma flor), autoférteis.Floresce durante os meses de março a maio e a frutificação de agosto a novembro.

Os frutos são verdes e formam agrupamentos, em geral, em número de cinco, presos entre si numa extremidade. Quando amadurecem, os frutos ficam vermelhos e abrem-se lateralmente expondo as sementes de cor cinza ou preta, presas na sua parede grossa e bem dura. Cada semente tem 1 a 2 centímetros de comprimento. Quando ficam totalmente abertos, cada fruto fica com formato de coração. A propagação é feita por sementes.

Fruto cápsula lenhosa, com pêlos internamente, de 10 a 20 cm de comprimento e, com 7 a 8 sementes, elípticas e glabras.

A árvore por sua beleza é muito usada e recomendada para o paisagismo em geral e suas cápsulas também fazem parte da decoração para arranjos de mesas, e suas castanhas são deliciosas podendo ser consumidas ao natural ou torradas.

Fotos: fernandomarinog - Lucy Passos – Elma Carneiro – Luis César dos Passos - Outras: Web




Voce conhece a fruta que dá no Cerrado Banha-de-galinha? Parece muito com a manga comum, tem um cheiro enjoativo, é doce, suculenta e antioxidante. Veja mais sobre ela clicando na imagem abaixo.




.

02/06/09

Um canto de vida

Hoje quase no final da tarde fazia um friozinho, mas mesmo assim desci até a rua para fotografar o pé de jambo do qual fiz uma postagem em 12/10/08, intitulada: É tempo de florir , (link) quando estava nos mais belos dias de sua florada. Muito triste vi que ele morreu. Está com as folhas secas enroladas e caindo uma a uma, restando apenas algumas nos galhos também secos e escuros.
Fotografei-o sob vários ângulos para mais um post, agora mostrando o contraste da vida e morte de uma árvore.
Na minha volta para casa, ouvi o cantar de um pássaro. Procurei de onde vinha apurando os ouvidos, o canto vinha do alto. Olhei para o céu e vi: era um beija-flor que cantava a vida, pousado nos fios de luz.
Aqui estão as fotos que ofereço ao ECOLOGICAL DAY de Sonia Mascaro, que decidiu manter no dia 2 de cada mês uma postagem com o tema ECOLOGIA, porém sem que seja uma blogagem coletiva. Quem quiser reverenciar a natureza ou falar algo sobre ela, fica ao critério de cada um.
E... como resistir a tanta beleza?

Fotos: Elma Carneiro