Tuiuiú
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21/04/10

Silhuetas do cerrado

Entrando na noite, silhuetas adormecem silenciosamente balançadas pela brisa fresca talvez provocadas por seu próprio movimento que o vento lhes trouxe e lhes fizeram mover.

E eu estava lá.

Ainda bem que consigo ser feliz com as coisas naturais e belas que a vida me oferece, inclusive a Natureza. Emocionar para mim é fácil.

É tudo uma questão de visão do ângulo: simples não acha?

Essa postagem também foi apresentada no meu Tumblelog - Um pouco mais - onde tenho um espaço mais descontraído com minhas músicas preferidas, minhas fotos, vídeos, textos com algumas reflexões.

Foto: Elma Carneiro

11/04/10

É tempo de florir - II

As árvores começam e acabam sem amor e sem ódio.

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Em 12 de Outubro de 2008 fiz a postagem É TEMPO DE FLORIR quando esse pé de jambo estava em plena florescência em minha rua, a poucos metros de onde moro. Essa árvore vivia seu mais belo momento então, carregada de flores belíssimas que cobriam a calçadas com suas pétalas finas que mais parecia um tapete vermelho arroxeado. Eu não sabia que ela estava condenada a morte para a próxima estação e que essas seriam as últimas flores de sua vida. Ela foi assassinada. Sua casca sofreu um corte proposital que circundou o tronco interrompendo assim a passagem da seiva para a nutrição dos seus galhos. Essa é uma forma sutil e dissimulada de como matar uma árvore, passando desapercebido dos fiscais, pois, na minha cidade é proibido cortar árvores ornamentais e é considerado um crime do qual a pessoa paga pesada multa.

A proprietária da casa em frente disse que realmente a árvore oferecia perigos nos fios de alta tensão para as crianças que subiam para apanhar seus frutos, como também o estrago da calçada que era levantada por suas raízes.

Afinal, árvores não gritam e nem entram na justiça, só ficam lá quietas, ....

As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Já foi sombra acolhedora. Estendeu os seus ramos, mirando a paisagem, a planura a perder de vista. Agora está morta. Os ramos secos despidos de folhas. À espera de que venham cortar-lhe o tronco, arrancar-lhe a raiz. Terá ainda alguma serventia?

Talvez, no seu lugar, venha a crescer outra árvore.
Árvores negras que falais ao meu ouvido,
Folhas que não dormis, cheias de febre,
Que adeus é este adeus que me despede
E este pedido sem fim que o vento perde
E esta voz que implora, implora sempre
Sem que ninguém lhe tenha respondido?

Sophia de Mello Breyner Andresen

A retirada da casca encurta a vida da árvore, porque agride o sistema de nutrição do vegetal. Em poucos meses, ela morre. Não haverá comunicação entre as raízes, que puxam água do solo, e as folhas, onde acontece a fotossíntese, processo que produz o alimento da árvore.

Fotos: Elma Carneiro