João-de-Barro o construtor

Casinha de João-de-Barrro no galho de uma árvore Cega-Machado no final de sua florada quando ainda restavam algumas flores roxas dessa maravilhosa árvore do Cerrado.
As fotos foram colhidas em 17-07-2010.

árvore cega-machado com casinha do João-de-Barro_Cerrado do Centro Oeste casinha do João-de-barro_galho de uma cega-machado Casinha do João-de-Barro _estrutura consistente e segura

Para construir a casinha com paredes de 5 centímetros de espessura e 30 centímetros de diâmetro, o casal amassa as bolas de barro com os bicos e os pés. Além de barro úmido, retirado do solo, é usado o esterco misturado com palha. Uma engenhosidade do ninho é a divisão em dois cômodos. O acesso ao primeiro se dá pela porta, feita na medida para que a ave entre sem precisar se abaixar. A câmara mais interna, forrada com penas, pelos e musgo, serve para a postura de ovos e acomodação dos filhotes, que ficam a salvo de predadores. Outra peculiaridade da casa é a localização da porta de entrada, estrategicamente posicionada na direção contrária à chuva e ao vento. Até hoje os ornitólogos (estudiosos das aves) não sabem como o joão-de-barro desenvolveu essa habilidade, que o mantém protegido das intempéries. Após cerca de duas semanas, o ninho fica pronto e a fêmea deposita de 4 a 6 ovos brancos 3 vezes ao ano Texto: Yuri Vasconcelos

João-de-Barro o construtor
birafotos
Ouça o canto do João-de-Barro que faz dueto com a companheira .
O joão-de-barro é pouco menor que um sabiá, porém mais delgado. Sua cor é cor de terra, com a garganta branca e a cauda avermelhada. É uma ave alegre que gosta de conviver com o homem. Vivem em casais e passam os dias a gritar em curiosos duetos.

Demais fotos: Elma Carneiro
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Elma

Uma árvore do Cerrado

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Na periferia uma árvore nativa ainda permanece intacta, é a cidade entrando no Cerrado

Árvore do Cerrado na periferia da cidade
Árvore do Cerrado- galhos tortuosos e casca grossa.
Durante muito tempo se pensou que o fogo, pela sua capacidade destrutiva e pelo resultado estético que ele provocava – uma paisagem coberta de cinzas, com árvores enegrecidas e sem folhas, aparentemente mortas – fosse uma força destrutiva e ruim para o Cerrado. Em meados da década de 1950, os estudos relevantes a respeito do Cerrado começaram a colocar essa idéia em questão. Apesar de ser uma força destrutiva, parecia que a relação entre fogo e Cerrado estava longe de ser compreendida apenas com esse viés catastrófico.
Porém, um dos fatores ecológicos mais importantes dessas regiões é o fogo. Ele pode ser gerado de diversas formas naturais, mas a principal delas são as descargas elétricas. Os incêndios diminuem a densidade do cerrado, prejudicando o incremento do material lenhoso e favorecendo a expansão das plantas herbáceas.
Outra hipótese, de maior aceitação, considera o cerrado uma vegetação clímax, que não se torna uma floresta devido às condições de clima e solo existentes, tendo o fogo um papel secundário. De acordo com a segunda hipótese, a falta de nutrientes essenciais e a grande presença de alumínio são as responsáveis pela fisionomia característica dos cerrados.


O sertão está em toda parte... sertão é onde o pensamento da gente se torna mais forte que o poder do lugar. Sertão é dentro da gente.
Guimarães Rosa


Fotos:Elma Carneiro
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Elma

Quaresmeira roxa espontânea

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Recebi a visita de Maria Pia, uma leitora e inclusive seguidora do Caliandra do Cerrado com esse comentário na postagem Mulungu - árvore de coral.


Olá Elma!
Meu nome é Maria Pia e sou apaixonada por plantas em geral. Mês passado estive no Vau/Distrito de Diamantina-MG e fotografei uma flor lindíssima à beira do Rio Jequitinhonha. Estou à procura do nome dessa flor e não encontro. Gostaria de saber se você a conhece. Tem como eu mandar as fotos dela pra você?
Meu email é: ........
Obrigada


Após entrar em contato com ela recebi as fotos com sua tão exuberante árvore, citando mais detalhes sobre a planta de flores que a fascinou e com toda razão:

"Como já disse antes, ela é mesmo uma flor lindíssima, de um roxo meio fúchsia os botões parecem ser cor de goiaba antes de abertos, enfim, um espetáculo. Eu fiquei encantada com o tom das flores do VAU, no caminho pro banho de rio, por vezes, o chão de terra vermelha ficava salpicado das pétalas das flores dos Ipês, uma mistura perfeita de amarelo com roxo, um banho de poesia pra alma.
Só não dá pra ser mais nítido porque são tiradas com aparelho celular."

Maria Pia, suas flores são as da quaresmeira [nome esta relacionado a época de sua floração - a Quaresma].
É mais provável que essa espécie seja a Tibouchina candolleana .

E os "botões parecem ser cor de goiaba" são na verdade os frutos, se você observar melhor pode ver um botão da flor nas suas fotos aqui isolado.Veja a postagem que fiz em em 08 de junho 2010 sobre uma quaresmeira próximo a rua onde moro e onde faço minhas caminhadas diárias, com o título de Quaresmeira roxa. Realmente é uma árvore linda e também me encanta.
Tibouchina (Família Melastomataceae)quaresmeira roxa
"Do gênero Tibouchina (Família Melastomataceae) essa árvore está distribuída principalmente em regiões tropicais e subtropicais da América e inclui aproximadamente 350 espécies, sendo 129 nativas do Brasil.
Na mata original, a quaresmeira floresce duas vezes por ano -a outra florada, menos intensa, acontece em setembro/outubro- e na mata original chega a viver de 60 a 70 anos. "Com o estresse da cidade, elas vivem menos de 50 anos e podem florescer três vezes por ano", diz Keller. "As maiores vítimas do estresse são as quaresmeiras que se encontram isoladas nas ruas." Os vilões são o monóxido de carbono, produzido pela queima de combustível dos veículos, e o ozônio.
As plantas estressadas sabem que terão vida mais curta e produzem mais flores para garantir mais sementes e mais "descendentes". A floração é a forma de perpetuação da espécie. Nas quaresmeiras, as mais velhas vão ficando cada vez mais exuberantes.
A falta de adubação, o pequeno espaço para crescer e expandir suas raízes e as podas drásticas também apressam a morte das quaresmeiras. A floração depende muito de fatores ambientais, - diz a bióloga Célia de Assis."
Ocorre naturalmente na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, sobretudo na floresta pluvial da encosta atlântica.

Fotos: Maria Pia [Diamantina - MG].

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Elma

Pau-papel do Cerrado

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Pau-papel (Tibouchina papyrus)



O pau-papel é endêmico do Estado de Goiás, sendo encontrada nas Serras Dourada, em Mossâmedes e dos Pireneus, em Pirenópolis. Curiosa pela textura de seu caule, cativa e atrai o interesse de todos, além de representar a típica arquitetura das plantas do Cerrado.
Sancionada por lei em 1972, é a planta símbolo representativa do Estado de Goiás.

É uma planta ornamental que apresenta floração abundante com flores alvas e casca do tronco escamado em lâminas finíssimas parecendo papel de seda.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro ocupando 21 % do território nacional, o que representa uma área de quase 2 milhões de km².
O Cerrado possui uma alta biodiversidade, com cerca de 160.000 espécies descritas, incluindo plantas, animais e fungos. O número de arbustos e árvore do Cerrado sensu scricto pode exceder a 800 espécies, das quais 40% são endêmicas. Ao lado da Floresta Atlântica, é considerado um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do Brasil, principalmente pela expansão da fronteira agrícola, no entanto, pouco se sabe a respeito da diversidade genética das espécies e como ela está organizada especialmente.

 Tibouchina papyrus - Pau papel do Cerrado
Serra Dourada - GO

É nessa região que é encontrada esse arbusto de até 3m de altura, muito peculiar que tem sido alvo de vários estudos pelos botânicos.
Pertence a familia Melastomataceae (a mesma da quaresmeira).

"Sua área de ocorrência natural é restrita e se limita aos campos rupestres do cerrado, nas regiões da Serra dos Pireneus em Pirenópolis, GO, Serra Dourada em Goiás, GO e em Natividade, TO (Almeida et al. 1998, Montoro  Santos 2007). Alguns trabalhos sobre a fenologia e a reprodução de T. papyrus (Montoro  Santos 2007, J. T. Chaves Filho, dados não publicados), sugerem que a espécie é xenógama facultativa, o que explica a baixa formação de frutos a partir de autopolinização (12%), tendo uma maior formação de frutos por polinização cruzada (45%)". Fonte aqui.



 Tibouchina papyrus - Pau papel do Cerrado   Tibouchina  papyrus- flores
flor do pau papel_ Tibouchina  papyrus
 Tibouchina papyrus - Galhos do Pau papel do Cerrado


Fotos: Euler Tavares de Oliveira, abnestair, Ismael Martins, João de Deus Medeiros


Veja também "Cidade de pedras" na Serra dos Pirineus na região de Pirenópolis, clicando na imagem abaixo.

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Elma

Garça-branca-grande

garça-branca-grande
garça-branca-grande
garça-branca-grande
 garça-branca-grande

Repentinamente ela apareceu planando num vôo rasante diante de meus olhos, subiu o espaço e pousou leve na folha de uma palmeira burití.

É a garça-branca-grande é também uma ave pescadora muito comum na beira de lagos.

" Comum à beira de lagos, rios e banhados. Mede cerca de 90 cm. Apanham igualmente insetos aquáticos (imagos e larvas), caranguejos, moluscos, anfíbios (até sapos do gênero Bufo) e répteis. Engolem às vezes cobras e préas."

Ela estava a espreita de peixes. Permaneceu quase que imóvel por um bom tempo e depois voou até a margem do lago para depois ir embora. Certamente percebeu que o momento ali não estava bom para conseguir sua alimentação com muitas pessoas por perto, vozes e música bastante alta.
Não sei porque as pessoas ligam som num ambiente tão puro como esse, deixando de ouvir o rumor da própria natureza vindo com o vento e o cantar dos pássaros.


Fotos: Elma Carneiro

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Elma