
Lobo-guará, o solitário -
uma preciosidade da fauna do Cerrado
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Três fases do Lobo Guará numa Ilustração de Lucas Lima |
● Classe: Mammalia
● Ordem: Carnivora
● Família: Canidae
● Nome científico: Chrysocyon brachyurus
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“O Lobo guará figura na lista de animais ameaçados de extinção realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com estado de conservação vulnerável. Isso porque, estudos revelam que há uma grande possibilidade do animal estar extinto em 100 anos. Já de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, sigla em inglês), o animal está na lista vermelha de animais quase ameaçados de extinção.
O Lobo-guará é considerado um dos canídeos endêmicos da América do Sul, juntamente com o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), o ►cachorro-vinagre.◄ [Veja matéria neste site].
Estudos moleculares corroboram a hipótese de o lobo-guará ter um ancestral comum exclusivo com a Raposa-das-falkland, [Libere as janelas pop-up e passe o mouse sobre o link para ver a raposa] que viveu há aproximadamente 6 milhões de anos.
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O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), é o maior canídeo sul-americano e se distribui pelo Cerrado e pradarias da região central do continente. Sua população está ameaçada pela redução e fragmentação de seu habitat devido à expansão agropecuária e urbana.
Ao contrário de outros lobos, que vivem em grupos cooperativos, os lobos-guarás são animais solitários, formando casais na época da reprodução.
Suas características físicas é dito que não há dimorfismo sexual em aparência e nem em tamanho; a altura nos ombros pode variar entre 75 e 90 centímetro; o comprimento da cabeça e corpo varia entre 100 e 125 centímetros; o comprimento da cauda varia entre 30 e 45 centímetros; e o peso de um animal adulto fica próximo de 30 quilos, enquanto que os filhotes possuem peso aproximado de 350 gramas ao nascer.
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É chamado de Guará porque em tupi-guarani, a língua dos indígenas, guará significa "vermelho". |
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O lobo guará não uiva, ele emite latidos |
Os lobos guarás selvagens são onívoros e se alimentam de uma grande variedade de itens, sendo que mudanças sazonais na disponibilidade de alimento resulta em mudanças dos componentes da Dieta do animal.
Entre alimentos vivos incluem pequenos mamíferos (Como, por exemplo, roedores e tatus), gastrópodes, répteis e ovos de aves.
.Fruta do lobo - antiparasitária
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A bela flor da lobeira |
Em relação a sua dieta vegetariana, seu principal alimento é o Solanum lycocarpum, comumente chamado de lobeira ou fruta do lobo. Essa fruta, não estacional, é um componente importante na dieta do lobo guará por todo o ano. A lobeira parece um tomate grande de cor amarelada quando maduro e, de acordo com Matera (1968), desempenha um papel importante no tratamento do verme gigante do rim- Dioctofimose (Dioctophyma renale), um parasita comum em lobos guarás, embora a evidencia científica ainda não é 100%comprovada; Cerca de 58% da dieta dos lobos guarás é com lobeira, 28% com pequenos mamíferos, 2,3% com aves e 11,7% nos restantes de alimentos pertencentes a dieta do animal, como répteis, gastrópodes e demais alimentos não classificados. A presença de sementes de lobeira são encontradas em 74% das amostras de suas fezes
Os lobos guarás vivem em pares familiares que ocupam, em média,uma área de cerca de 30 km².
Esses animais costumam ser noturnos ou crepusculares em relação a suas atividades. Geralmente um casal, monogâmico por toda a vida, divide a mesma área, mas raramente são vistos juntos exceto durante a estação de reprodução. Os territórios são marcados por locais específicos de defecação e demarcações que representam barreiras físicas, como rios e em alguns casos estradas. Essas marcações por defecação geralmente são feitas em superfícies elevadas, como morros.
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O Lobo Guará emite latidos
O lobo-guará não ataca seres humanos. De temperamento tímido e arredio, apenas rosna quando acuado e ameaça avançar para proteger seus filhotes. Acredita-se que o lobo guará se utiliza de latidos tanto para localização dentro do território quanto para promover o espaçamento dos indivíduos pela fuga.
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Segundo os biólogos, o lobo guará em seu estado selvagem seja monoestro (um único período de ovulação por ciclo) com presença de estro (fase de ovulação propriamente dita) por aproximadamente 5 dias. A gestação de uma fêmea varia entre 63 e 70 dias e ao dar a luz geralmente nascem de 2 a 5 filhotes que nascem com a pelagem escura, sendo que a maioria das crias nascem durante estações de secas.
Lobo Guará e filhotes
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Antes de dar a luz as fêmeas levam alimentos para sua toca. Elas ficam escondidas com seus filhote meio a arbustos ou pedras, pequenas ravinas ou covas secas no interior de áreas alagadas.
Essas tocas são geralmente pontos estratégicos pertencentes a própria topografia da região aonde o animal vive, como por exemplo pontos baixos de capinzais ou morro que tenha passado por algum processo de erosão, já que não existe provas de que um lobo guará seria capaz de escavar sua própria toca.
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Principal enfermidade parasitária do lobo Guará:
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.Clique no link ou na imagem abaixo e saiba mais sobre esse terrível verme que mata o Lobo guará
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A Dioctofimose é causada pelo helminto Dioctophyma renale, também conhecido como “verme gigante do rim” Esse parasito é um nematódeo de coloração vermelho-sangue.
Na forma adulta as fêmeas podem atingir 20-130 cm e os machos 14-45 cm. É uma parasitose de distribuição mundial e tem como hospedeiros definitivos cães, raposas, lobos, visons e outros mamíferos, inclusive o homem.
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As fêmeas o verme gigante chegam a medir até 1.30m |
O verme geralmente é encontrado no rim direito, devido à migração através da parede duodenal, ou livre na cavidade abdominal do hospedeiro.
Os animais e o homem adquirem o nematóide a partir da ingestão de carne de peixe pouco cozida e de anelídeos aquáticos infectados com a forma larval do parasito.
Especula-se que o fruto da lobeira (Solanum lycocarpum) pode ter efeitos terapêuticos no lobo-guará, auxiliando na proteção contra o D.renale (Manual de Manejo do Lobo-guará). Parte do texto extraído da Monografia apresentada por José Artur Nogueira.
para a conclusão do Curso de Especialização Latu sensu em Clínica
Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens e
Exóticos – CMCASE
Orientador: Prof. Dr. Raul Ávila Junior.
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