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Lagarto-Preguiça (Polychrus acutirostris)


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Lagarto Preguiça (Polychrus acutirostris), também conhecido por:
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● Papa-vento 
● Bicho-preguiça 
● Camaleão 
● lagarto-arborícola 
● Lagarto-cego
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Clique nas imagens para ampliar

Quando avistei esse largato andando como um tonto percorrendo um trecho no gramado, pela lentidão dos seus passos parecia ser uma caminhada demorada e que por isso seria presa fácil para seus predadores naturais. Imaginei tratar-se de uma lagartixa que havia sido ferida pela máquina de cortar grama por isso andava com dificuldades, diferente da agilidade normal dos pequenos répteis que cheguei a prever sua morte em pouco tempo e, como o jardineiro estava por ali podando a grama, perguntei se o bichinho havia sido atingido pela máquina, ele disse que se tratava do lagarto-preguiça que aquele era o modo normal de sua caminhada.
Possivelmante ele se assustou com o barulho da máquina e fugia a procura de um local mais calmo.

Veja o vídeo 
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O Lagarto Preguiça (Polychrus acutirostris) vive em todos os tipos de Cerrado onde existam áreas arbóreas, é encontrado em arbustos e no chão. Seus movimentos são muito lentos, até para capturar suas presas: grilos, gafanhotos, louva-a-deus, larvas, besouros, vespas, mas os vegetais também fazem parte de sua dieta.
Consegue mover os olhos independentemente e se arrisca a mudar de cor, embora de uma maneira um pouco acanhada; ele não domina a arte tão bem como o seu parente camaleão.
É uma espécie diurna. Sua camuflagem e imobilidade são suas defesas, passa a maior parte do tempo imóvel para não ser percebida pelos predadores. Sua longa cauda é preênsil, ou seja, é utilizada para “segurar”, e também para sustentar o animal em suas “escaladas” por árvores e arbustos, pois é uma espécie arborícola nas regiões Nordeste, Centro-oeste e Sul do Brasil, mas ocorre também na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. 
A reprodução é cíclica: ocorre na estação chuvosa, de Setembro a Março. Cada fêmea põem de 7 até 31 ovos, sendo a média em torno de 18 ovos. A incubação dos ovos dura cerca de 4 meses. Os filhotes nascem com aproximadamente 40 milímetros de comprimento rostro-anal e atingem a maturidade sexual no seu primeiro ano de vida. 

Fotos e vídeo: Elma Carneiro

Nascentes do rio Araguaia e as voçorocas


Quanto mais árvores, mais água


Continuação da postagem Rio Araguaia um dos maiores rios do Brasil que foi desmembrada para encurtar a página e atualizar as medidas tomadas com os resultados da ação da Agencia Ambiental de Goiás para a contenção da voçoroca Chitolina.

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Araguaia River - Goiás - Brasil - foto: Margi Moss

Este rio passa pelo sertão
como um bicho por uma estrada (...).
O rio alaga seu mistério, o rio ronca.
Este rio carrega o remorso dos afluentes,
segue o dorso das estradas, o rio.
Araguaia, eu sou teu pranto.

Do poeta goiano Gabriel Nascente

A beleza do Araguaia tem fortes clarões de tristeza. Em alguns trechos ele está ficando mais largo e com baixa profundidade, mostrando o que o homem é capaz de fazer sem pensar no futuro das gerações.
Conhecida pelos pastos e lavouras a perder de vista, a região de onde verte a água que alimenta o Araguaia, um dos principais afluentes do Rio Tocantins, sofreu um desmatamento implacável nos últimos 40 anos.


Clique nas imagens para abrir em efeito ligthbox

Restos de floresta desmatada são queimados perto de plantações de soja em Mato Grosso.
 O rio Araguaia está em em alerta devido ao processo de desertificação que atinge suas nascentes. Pesquisa realizada pela geógrafa Rosane Amaral Alves da Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), indica o avanço dos areais nas nascentes da região Sul da Alta Bacia do Araguaia, entre Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a partir da década de 80, quando se intensifica o uso do solo para pastoreiro e plantações de soja.


A região das nascentes do rio Araguaia na Serra dos Caiapós em Mineiros-Go poderá ficar comprometida pela devastação da vegetação natural que está dando lugar a agropecuária . No lugar de minas e olhos d'água o que existe hoje são 17 voçorocas - imensas erosões com até 800 metros de extensão, 35 de largura e 15 de profundidade. O quadro é consequência do desmatamento desenfreado, inclusive de matas ciliares, e da não-conservação do solo, o que expressa um típico comportamento de agricultores sulistas: a soma de ganância e ignorância.

Erosões nas nascentes do Araguaia

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.A ►voçoroca, boçoroca ou ravina é um fenômeno geológico que consiste na formação de grandes buracos de erosão, causados pela chuva e intempéries, em solos, onde a vegetação é escassa e não mais protege o solo, que fica cascalhento e suscetível de carregamento por enxurradas. Pobre, seco, e quimicamente morto, nada fecunda.

O “estrondo” de uma voçoroca produz um som ensurdecedor, semelhante ao de uma avalanche. Do ponto de vista geológico, há várias regiões brasileiras onde o solo está em franco processo de formação.

Voçoroca Chitolina - foto de Rene Boulet

Voçoroca Chitolina

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Voçoroca Chitolina na propriedade homônima, vendo-se em primeiro plano, no canto direito, o rio Araguaia assoreado. Local acerca de 15 Km da nascente de dimensões alarmantes formada na cabeceira do rio Araguaia, na Fazenda Jacuba, em Mineiros, no Estado de Goiás.
A voçoroca soma mais de 90 grandes crateras no solo. A maior delas é conhecida como voçoroca chitolina e já levou cerca de 17 milhões de metros cúbicos de areia para o leito do Araguaia. A chitolina tem 2/5 quilômetros de extensão, por 70 metros de largura e 50 metros de profundidade.
Conforme explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Marco Gomes, as voçorocas que ameaçam o nascedouro do Araguaia foram provocadas pela agropecuária em solos inadequados, associada ao desmatamento crescente do Cerrado. O solo extremamente arenoso da região é facilmente carregado pelas chuvas. Sem a proteção do verde, escorre com a água que cavouca a terra e dá origem às erosões. Desmatamento e implantação de pastagens em terrenos inclinados e arenosos são as causas principais do surgimento daquelas voçorocas”, diz.

Voçoroca Chitolina - foto de Antonio Oliveira Loureiro
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Providências urgentes



Clique na imagem  para ler - efeito ligthbox
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Marco nascente

Placa nas proximidades da voçoroca, na Fazenda Jacuba, em que governos e órgãos ambientalistas firmam acordo para a preservação do meio ambiente no País e, que, a sociedade fica na expectativa de resultados concretos, há muitos esperados. Foto de: Adilson Lopes Garcia

Banco de Sementes para reflorestar as nascentes em Mineiros


Banco de sementes para reflorestamento(16.03.07) ARAGUAIA.NET - O projeto de instituição do banco de sementes do solo para recuperar a voçoroca Chitolina, está em fase de finalização. A fonte de sementes do banco será a Chuva de Sementes – técnica em que sementes são espalhadas por distintos processos de dispersão. Como também a plantação das mudas de gameleiras.

Raízes da gameleira
Raízes da Gameleira

Agência Ambiental controla voçorocas no Araguaia

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A principal voçoroca do Rio Araguaia, a Xitolina, que fica na Fazenda de Milton Michelis, vizinha do Parque Nacional das Emas, está totalmente controlada por força de trabalho realizado pela Agência Ambiental de Goiás. O local recebeu cerca de cinco mil mudas de espécies da região, mil delas de gameleira que produz grandes raízes e protege contra a ampliação da voçoroca. A área degradada atinge cerca de dois quilômetros, foi toda cercada, impedindo a entrada de gado. A fiscalização ambiental tem se intensificado no Estado de Goiás com o fortalecimento e a modernização da Agência Ambiental. Os fiscais estão aptos a fazer todos os tipos de procedimentos e também informar e orientar sobre os licenciamentos ambientais. O geoprocessamento de imagens permite tanto conferir o avanço de desmatamento do cerrado quanto as iniciativas de recuperação desse bioma. O reflorestamento da principal nascente é resultado de parceria entre a Agência Ambiental e o fazendeiro João Pedro Michelis, dono da Fazenda Olândia, onde fica a nascente. Além de replantar e cercar as principais nascentes do Araguaia, a Agência Ambiental está criando o chamado "Corredor Ecológico", que vai ligar o Parque Nacional das Emas às nascentes do rio, num percurso de 2 quilômetros. Apesar de ainda existirem voçorocas no rio, as mais importantes nascentes já estão protegidas e cercadas num raio de 100 metros e toda reflorestada numa área de 145 hectares.

Foi construído um murundum (espécie de alto 'muro' de terra batida que evita que as águas da chuva despencam para dentro da voçoroca, levando cada vez mais terra e provocando deslizamentos das encostas). No fundo, onde antes tinha apenas terra vermelha e parecia cenário de lua, hoje a vegetação já está voltando e dentro de poucos anos, a voçoroca vai simplesmente 'sumir de vista' (porém continuará existindo) dentro da cobertura vegetal.

Clique no texto abaixo e leia


..Realizado reflorestamento que liga Nascentes do Rio Araguaia com o Parque Nacional das Emas





Rio Araguaia
Rio Araguaia
Em quase toda a extensão de seu curso, apresenta, no período que vai de maio a outubro, praias de areias brancas e limpas, o que, aliado a uma fauna e flora bastante rica em espécies e volume, vem despertando a atenção do turista e dos amantes da natureza no mundo inteiro. A atividade da pesca amadora reforça o poder de atração de toda a região.
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Estação seca do Cerrado

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Paisagens da estação seca do Cerrado

Com voz de pássaros gravados no local onde havia mais verde com seus ninhos e frutos.

Gravação de Elma Carneiro em 2012
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A estação seca do Cerrado que vai de abril a setembro deixa uma paisagem impressionante de secura e a umidade do ar que em algumas regiões chega até a 10%. Mas, a impressão da paisagem com esqueletos de árvores desfolhadas que a princípio oferece uma visão devastadora, esconde a importância deste Bioma que abriga uma alta diversidade de espécies da fauna e da flora, sendo muitas destas endêmicas, ocorrendo apenas nestas regiões.
Além da importância biológica, o Cerrado é o berço de nascentes e rios, pertencentes às três maiores bacias da América do Sul: São Francisco, Amazonas (Tocantins-Araguaia) e Paraná.
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De abril a setembro é tempo de seca no Cerrado


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Na sua maior parte, o complexo vegetacional do Cerrado está localizado no Planalto Central do Brasil. Em termos fitofisionômicos, predominam as formações savânicas, que se caracterizam por um estrato arbóreo de densidade variável e um estrato arbustivo-herbáceo dominado por gramíneas. O clima é sazonal , com invernos secos e verões chuvosos. Os solos são geralmente profundos e bem drenados, com baixa disponibilidade de nutrientes e altas concentrações de alumínio e ferro. As queimadas são frequentes na estação seca, causando impactos importantes na estrutura e a composição florística da vegetação.

A vegetação do Cerrado é semidecidual, o que significa que parte das plantas perdem suas folhas durante a estação seca.


Árvores secas do Cerradão


É uma formação florestal com aspectos xeromórficas, caracterizado pela presença de espécies que ocorrem no Cerrado sentido restrito e também por espécies de mata.
Do ponto de vista fisionômico é uma floresta, mas floristicamente é mais similar a um Cerrado. Apresenta dossel predominantemente contínuo e cobertura arbórea que pode oscilar em torno dos 70%, com altura média do estrato arbóreo variando entre oito e quinze metros,propiciando condições de luminosidade que favorecem a formação de estratos arbustivo e herbáceo diferenciados, com espécies de epífitas reduzidas.



Adaptações das plantas do Cerrado que na imagem retrata o cerradão.

A existência de espécies com sistema radicular também implica que as raízes superficiais ficam envoltas em um solo seco durante a estação seca, enquanto as raízes mais profundas estão em contato com um solo úmido.
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No Cerrado as  árvores perdem suas folhas na estação da seca
O Cerrado abriga plantas de aparência seca, entre arbustos esparsos e gramíneas, e o cerradão, um tipo mais denso de vegetação, de formação florestal, formado por árvores baixas e retorcidas destacadas em meio a gramíneas recobrindo o topo das chapadas.

Algumas variedades permanecem verdes e ficam mais bonitas e frondosas nesta época do ano. São espécies mais resistentes que continuam inalteradas durante as duas estações cujas raízes também chegam a grandes profundidades devido ao seu sistema radicular ser bem mais extenso.

No auge da seca, a maioria das árvores já estão desfolhadas e basta um sinal de umidade no ar pela aproximação das chuvas que elas se cobrem de folhas com toda força vestindo de verde.

Porém, seus esqueletos sempre nos proporcionam uma visão maravilhosa e ao mesmo tempo melancólica de um pôr do sol em tonalidades que vão do laranja ao vermelho.

O vermelho e o laranja tornam-se muito mais vívidos no crepúsculo quando há poeira ou fumaça no ar, provocado por incêndios. Isso ocorre porque essas partículas maiores também provocam dispersão com a luz de comprimento de onda próximos, no caso o laranja e vermelho.

Normalmente no Cerrado, isso ocorre com maior intensidade em dias em que a umidade relativa do ar está baixa.

Pôr do sol  na estação seca do CerradoPôr do sol do Cerrado



Fotos: Elma Carneiro

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Cerradão fotografado nas duas estações: chuvosa e seca.  Veja a postagem clicando na imagem e confira as mesmas paisagens diferenciadas de acordo com a estação,&n nas cores verde e marrom.

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Árvores retorcidas do Cerrado

O formato tortuoso das árvores do Cerrado se deve à ocorrência de incêndios. Após a passagem do fogo, as folhas e gemas (aglomerados de células que dão origem a novos galhos) sofrem necrose e morrem. As gemas que ficam nas extremidades dos galhos são substituídas por gemas internas, que nascem em outros locais, quebrando a linearidade do crescimento.

As árvores do Cerrado levaram milhões de anos para se adaptar  ao clima, inclusive ao fogo. Hoje elas são mais resistentes.


A partir desse esboço, e do pensamento de Darwin como um todo, ciências como a genética puderam se desenvolver a fim de elucidar o que o biólogo britânico Richard Dawkins chama de “O Maior Espetáculo da Terra"

 
Teoria da Evolução desenvolvida por Charles Darwin revolucionou a Biologia. Esboço criado pelo próprio naturalista data de 1837. Imagem: Museum of Natural History de Manhattan.

"Não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta a mudança." Charles Darwin

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A origem do Cerrado

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Origem e Evolução das Plantas

Os primeiros seres vivos da Terra surgiram no oceano. Com o passar do tempo, apareceram espécies animais que se adaptaram à vida em outros meios, como a terra e o ar. As plantas seguiram um caminho semelhante. As primeiras formas de vida vegetal, as algas, também vieram da água. Depois destas surgiram vegetais como os musgos - aqueles tapetes verdes que se formam no cimento, na pedra ou na parede depois de um período de chuvas. Apesar de viverem em ambiente terrestre, os musgos precisam de locais úmidos e com pouco sol.
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A rica biodiversidade do  bioma Cerrado pode ter se originado de incêndios naturais ocorridos dez milhões de anos atrás.

Foto de Marcelo Simon/Embrapa
A origem do Cerrado coincidiu com a maior vulnerabilidade da região a incêndios naturais e por meio de análises genéticas, foi possível investigar a evolução das adaptações das plantas do cerrado ao fogo
O fogo teve papel importante na formação da flora do cerrado brasileiro. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana na PNAS por uma equipe internacional de pesquisadores, que conta com a participação de brasileiros da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A pesquisa indica que os incêndios naturais são um dos motivos que fizeram do cerrado a savana tropical com maior biodiversidade do mundo.

Plantas com mais chances de sobrevivência


A hipótese levantada pelos autores do trabalho é que a origem desse bioma coincidiu com o avanço de gramíneas sobre a região, causado por mudanças climáticas ocorridas dez milhões de anos atrás e responsáveis também pela expansão da savana em outros lugares do mundo. Por serem muito inflamáveis, as gramíneas deixaram o local do futuro cerrado vulnerável a incêndios.
Devido às novas condições climáticas, as plantas mais adaptadas a ambientes secos e mais resistentes ao fogo tiveram mais chances de sobreviver na região. Aparentemente, esse ajuste não foi difícil, já que o surgimento do Cerrado foi relativamente rápido se comparado ao de outros biomas.
As características adaptadas ao fogo presentes nas plantas dos grupos estudados – como casca espessa e raízes profundas e grossas – levaram os cientistas a concluir que os incêndios naturais ocorridos no cerrado são talvez os ingredientes decisivos que culminaram com a riqueza de espécies do bioma. Essa conclusão se junta a outras evidências científicas que apontam a importância de fenômenos específicos em uma dada região para a formação de biomas com grande biodiversidade
A vegetação do Cerrado é influenciada pelas características do solo e do clima, bem como pela frequência de incêndios. Ciência hoje

O formato tortuoso das árvores do Cerrado se deve à ocorrência de incêndios. Após a passagem do fogo, as folhas e gemas (aglomerados de células que dão origem a novos galhos) sofrem necrose e morrem. As gemas que ficam nas extremidades dos galhos são substituídas por gemas internas, que nascem em outros locais, quebrando a linearidade do crescimento. Quando a frequência de incêndios é muito elevada, a parte aérea (galhos e folhas) do vegetal pode não se desenvolver e ele se torna uma planta anã. Pode-se dizer, então, que a combinação da sazonalidade, deficiência nutricional dos solos e ocorrência de incêndios determina as características da vegetação do cerrado.  André Stella e Isabel Figueiredo
 Programa de Pequenos Projetos Ecossociais,
 Instituto Sociedade, População e Natureza.

Os troncos tortos podem também ser considerados como um efeito do fogo no crescimento dos caules, impedindo-os de se tornarem retilíneos, pois pelas mortes de sucessivas gemas terminais e brotamento de gemas laterais, o caule acaba tomando uma aparência tortuosa.
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Sou esse tronco retorcido, 
de casca grossa, 
chamado corpo. 
Arbusto silvestre, 
jacarandá-do-cerrado, 
planta nativa, 
mata cativa,
 viajante alado. 

Moisés Augusto Gonçalves



Clique nas imagens para redimensionar A primeira imagem é de um lindo pequizeiro em flor.


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O meu Cerrado 



 Teus troncos tortuosos são a imagem 
 Da árida luta travada, oh vegetação!
 Nos tons beges da tua linda paisagem 
 Tens frutos, tens rosas, tens perfeição. 
 Se teus ventos sopram seca estiagem 
 Tuas nascentes matam a sede do chão 
Tua fauna assovia o canto selvagem 
 De pássaros que voam no seio da nação. 

 Deixa tua flora vestir-me, cerrado 
 Com teu manto de folhas ressequidas 
 Na noite do belo céu azul estrelado. 
 Quero apreciar tua beleza esquecida 
 Na casca grossa do tronco entortado 
 Que se retorce pela batalha da vida.  



Yuri Rodrigues Braz 
Poeta do Cerrado goiano

Fotógrafos identificados: João Guato -Humberto Russo - José Olegário - Cerrado Vivo



Dentro do Bosque dos Buritis de Goiânia

Reserva ecológica  no centro da Cidade.

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Bosque dos buritis

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No interior do bosque avisto flores brancas nativas. Esse local é composto por buritis e árvores frondosas, o clima é fresco e úmido. Pássaros em profusão, insetos, pequenos répteis, macacos que passam de um galho ao outro fazendo ruídos com seus movimentos rápidos entre as folhas que me chama atenção, porém, mal consigo vê-los ou distinguir suas feições. Nascentes, pequenos igarapés, o burburinho das águas quando em sua mansa correnteza. Mais além, um caminho feito por formigas que vão enfileiradas, cada uma levando uma folha. Um batalhão em marcha.
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Bosque dos Buritís-Goiânia_Centro Oeste do Brasil
Aqui dentro, o perfume das flores, sinto o cheiro de mel, da terra encharcada e fértil. Observo as gramíneas, o capim crescido, como também, as folhas secas espalhadas. Por vezes, passa rapidamente um lagarto amedrontado e desaparece por baixo dos gravetos do chão que o camufla disfarçando sua aparência. Abelhas sobrevoam minha cabeça. Há uma vida intensa dentro dessa pequena mata preservada. Imagino a quantidade de ninhos de passarinhos que devem estar entranhados entre os galhos dessas árvores altas e o piar de seus filhotes.
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Bosque dos Buritís-Goiânia_Centro Oeste do Brasil_num fim de tarde o sol entre frestas
Há um silêncio, nele não sinto estranheza porque a natureza é própria de nós e em seu meio estou em plena harmonia, ela é mãe, eu, mais uma espécie. Lá fora a uns 300 m a cidade ferve no seu dia a dia, os carros passam velozmente entre os outros, mas, os ruídos não chegam a alcançar o interior desse templo. O sol teima em penetrar por entre as frestas das árvores e observo convicta de que nada é em vão.
E, eu estava ali numa tarde de domingo de maio desse ano.

Uma outra variedade de coqueiro aponta suas grandes folhas para o alto, onde dali antevejo o céu azul e o sol começa a desaparecer com seus raios dourados. Começa ali e agora um maravilhoso pôr-do-sol que se forma para meus olhos e nada me resta senão observar. Os pássaros parecem multiplicar-se por seus cantos despedindo-se do dia. Encontro-me ali nesse centro congregada, e minha vida respira pelos pulmões esse ar com cheiro de verde.
Faço parte dessa paisagem e a certeza mais lógica que tenho é que quando eu for, ela naturalmente e sempre silenciosa em seu curso, se incorporará com minha desintegração física. ElmaCarneiro

"Eu também quero a volta à natureza. Mas essa volta não significa ir para trás, e sim para a frente."
Friedrich Nietzsche


Fotos: Elma Carneiro

Você poderá ver no mesmo espaço as mensagens de paz existentes dentro do bosque clicando na imagem abaixo.
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Árvores de espinhos - Maminha de porca

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"Maminha de porca" - Zanthoxylum regnelianum - é o nome dessa árvore, cheia de agudos espinhos no tronco, que existe no cerrado do Planalto Central do Brasil.
  • Características: Planta espinhenta, 4-8 m de altura, copa densa, globosa, tronco ereto, cilíndrico, folhas alternas compostas. Floração maio-agosto, frutos setembro-novembro

Oferecem prêmios para quem subir até sua copa.

A  Maminha de porca é uma árvore comum no Cerrado e seus espinhos são de madeira bruta e resistentes
Foto colhida em 03/12/2008

Clique nas demais imagens e quando abrir, clique mais uma vez para melhores detalhes de impressionante beleza.  Imagens de alta resolução.

Fotos da mesma árvore e sob diversos ângulos, registradas em 13/11/2011

Seus espinhos são de madeira bruta. Para cortá-los seria necessário um facão afiado ou o machado.
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Fotos: Elma Carneiro

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Árvore de espinhos

O Gambá no Bioma Cerrado


O gambá é um marsupial


Uma família "da pesada"

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Quando saem da bolsa da mãe ainda ficam por um bom tempo dependentes e agarrados em seu dorso.
Gambá capturado numa armadilhaOs gambás (Didelphis marsupialis) são animais com quarenta a cinquenta centímetros de comprimento, sem contar com a cauda, que chega a medir quarenta centímetros. Têm um corpo parecido com o rato, incluindo a cabeça alongada, mas com uma dentição poliprotodonte (que têm mais de dois incisivos ). A cauda tem pelos apenas na região proximal, é escamosa na extremidade e é preensil, ou seja, tem a capacidade de enrolar-se a um suporte, como um ramo de árvore.

clique sobre as miniaturas
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As patas são curtas e têm cinco dedos em cada mão, com garras. Têm marsúpio (bolsa externa de alguns mamíferos) como o cangurú e, ao contrário da maioria dos marsupiais, sua cauda é menor que seu corpo. Sua média de vida é de 4 a 5 anos

O mau cheiro do gambá



Gambá tem uma arma poderosa como defesaEle possui duas glândulas localizadas a cada lado da abertura anal que secretam um líquido malcheiroso,- ferozmente fedorento - um tipo de álcool chamado butilmercaptana que pode ser esguichado em até 4 metros de distância. Ocorre que aquelas glândulas só entram em ação quando o gambá está irritado ou se sente ameaçado. “É uma forma de defesa porque o forte cheiro acaba por afastar os animais que oferecem perigo”, explica a bióloga Fátima Viveiros Valente, da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Em situações normais, o gambá apresenta um cheiro característico muito mais fraco, como os outros animais.

Este mesmo odor é produzido pela fêmea na época da reprodução, para atrair o macho.
Outra estratégia para escapar dos perigos é o comportamento de fingir-se de morto até que o atacante desista.

O gambá finge-se de morto diante de um perigo.Seu hábito de fingir-se de morto é famoso. Com a aproximação do perigo o gambá amolece o corpo, deixa a cabeça pender para um lado, abre a boca e coloca a língua de fora. Embora pareça morto e nem sequer estremece quando gravemente mordido pelo predador, o cérebro do gambá permanece em plena atividade para identificar e aproveitar a menor chance de fuga.
De que forma o animal alcança esse aparente bloqueio total dos sentidos é um mistério insolúvel para os zoólogos.

São solitários, porém, na época do acasalamento, formam casais para reproduzir. Neste período o casal constroi um ninho de galhos e folhas secas.

O gambá tem hábitos noturnos, ou seja, começa a caçar e coletar alimentos durante o período da noite. A alimentação dos gambás consiste em ovos, frutos, vermes, insetos, lagartos, anfíbios e até mesmo filhotes de pássaros. Além de se alimentar de aves e seus ovos, o gambá tem especial predileção por sangue. Por isso, é conhecido como sanguinário.

Abre o pescoço, abaixo da cabeça, e rompendo a jugular de suas vítimas, se sacia com o sangue que jorra.
Sacrifica quantas aves puder apanhar, mesmo não bebendo o sangue de todas. A seguir, entra num estado de torpor profundo, sendo encontrado pela manhã, ainda inebriado ou em êxtase, como de ressaca. Deste fato surgiu a crença que basta por uma caneca com pinga no galinheiro, que na manhã seguinte o gambá estará totalmente embriagado. Do fato surgiu o dito: "bêbado como um gambá".
..O Gambá no Bioma Cerrado

Um animal atípico 

Como nos restantes marsupiais, ao invés de nascerem filhotes, nascem embriões com cerca de um centímetro de comprimento, que se dirigem à bolsa, onde ocorre uma soldadura temporária da boca do embrião com a extremidade do mamilo até completarem seu desenvolvimento na bolsa materna. 

Assim, a fêmea marsupial investe pouca energia e recursos durante a gestação, mas a lactação requer investimento substancial. A composição do leite tem variações marcantes nos marsupiais. O primeiro leite é diluído e rico em proteínas, enquanto o leite posterior é mais concentrado e rico em gorduras. Os filhotes permanecem no marsúpio até uns 3 meses e, quando saem e, ainda não capazes de viver sozinhos, são transportados pela mãe em seu dorso.
gambá-em-recem-nascido
feto de marsupial dentro da bolsa
bebes de gambá na bolsa da-mamãe














Uma curiosidade é que o órgão sexual do gambá fêmea é especial. Assim ele apresenta uma vagina bifurcada, dois úteros, dois colos uterinos assim como dois ovários, além de começar a sua vida sexual ativa aos 10 meses. Então, após a fecundação a gestação dura apenas 1 semana e pode dar origem a até 25 filhotes, porém a média normalmente são de 16.


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Os gambás podem reproduzir-se três vezes durante o ano, dando dez a vinte filhotes em cada gestação, que dura de doze a catorze dias.





Imagens: Daniel Lavenere, Carmine Marino, Wikypédia, Profimedia, Flávio Brandão, Marcos Grangeiro - outras:Web



Conheça um pouco dos hábitos de vida, habitat e reprodução do Tatú, um mamífero que possui uma couraça muito resistente e quando se vê em perigo se  enrola sobre o próprio corpo formando uma bola, daí o nome de Tatú-bola.

Clique na imagem e entre na página

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